Ulysses é o registo de um dia comum, o dia 16 de Junho de 1904, em Dublin. O “herói” deste dia comum é um homem comum, Leopold Bloom, e o livro é o “épico” do seu dia comum em toda a sua pequena e gloriosa banalidade. Bloom é qualquer homem a viver tudo. Realmente tudo! O método de Joyce não deixa nada de fora; este é um espectáculo da totalidade da vida. Neste relato abrangente do dia de Bloom, tudo está ao mesmo nível; para o artista, um facto não tem mais valor do que outro. Ao testemunhar tudo o que surge, Joyce pratica a equanimidade perfeita quando representa os seus personagens tais como eles são. Um antigo mestre Zen uma vez exclamou: “Que belos flocos de neve! Eles não caem num outro lugar.” De igual modo, quando lhe perguntaram numa entrevista por que o pai de Bloom era húngaro, Joyce respondeu, “Porque o é!” Joyce retrata a vida como um todo integrado e coerente, em que cada detalhe é visto tal como é, no seu lugar.
Pode ser dito que a premissa espiritual do livro é uma aceitação total da vida, uma noção fundamentalmente budista. De facto, uma prática essencial do Zen Japonês é aquilo a que se chama shikantaza, que significa literalmente “somente-sentar” ou “só sentar.” É uma prática que não utiliza nenhum suporte meditativo --- nenhum mantra, nenhum objecto de concentração, nenhuma técnica --- e que é caracterizada por uma intensa e não-discursiva atenção. Pode ser simplesmente definida como testemunhar a totalidade da vida. O autor de Ulysses, um irlandês de meia-idade exilado numa Europa do início do Século XX desfeita pela selvageria da guerra, estava de acordo com o Terceiro Patriarca do Zen, o qual escreveu, muitos séculos atrás na China antiga, “O caminho perfeito não é difícil para os que não têm preferências.” Ele também dá eco a outro provérbio tradicional do Zen: “O dharma é igual, sem alto, nem baixo.”
Sensei Amy Hollowell
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
RETIRO Zen (sesshin) com sensei Amy Hollowell
Local: Centro de espiritualidade Santa Teresa de Jesus, Avessadas, Marco de Canavezes
Chegada: sexta-feira, 29 de Fevereiro 2008, pelas 19h
Partida: domingo, 2 de Março, pelas 17h
Programa: sessões de meditação sentada e em andamento; palestras; perguntas e respostas;
possibilidade de entrevistas pessoais;
neste retiro, haverá uma cerimónia de jukai
Condições: refeições vegetarianas; quartos individuais, duplos e triplos (o tipo de quarto não influencia o preço da diária)
Custo: inscrição €50 (participação nas despesas da vinda da sensei)
alojamento e refeições: €60
total: €110
Professora: Sensei Amy Hollowell é a primeira sucessora de Roshi Catherine Genno Pagès, responsável pelo centro Dana, em Paris. Amy Hollowell nasceu em Minneapolis, nos Estados Unidos, em 1958. Emigrou para França em 1981 no final dos seus estudos universitários. Actualmente é jornalista num quotidiano internacional com sede em Paris. É também poeta - os seus poemas foram publicados nos Estados Unidos e na Europa. Começou a estudar o Zen com Catherine Pagès em 1993 e ensina sob a sua direcção desde o ano 2000. Recebeu a transmissão do Dharma em 2004. Ensina a prática da meditação silenciosa (shikantaza) e a prática dos Koans.
Organização: União Budista Portuguesa - Delegação do Porto
Rua da Restauração, 2.º 4100-506 Porto
E-mail: ubporto@gmail.com
Web page: http://uniaobudistaporto.org/
Blog: http://gota-de-orvalho.blogspot.com/
Blog de Amy Hollowell Sensei: http://zenscribe.ovh.org/
leia também O que é um retiro?
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Mente de Principiante

Círculo Mente de Principiante - a partir de 30 de Outubro, a sessão de meditação das terças-feiras (às 20h) na UBP Porto inclui um período de reflexão e diálogo sobre o livro de culto do Zen, Mente Zen, Mente de Principiante de Shunryu Suzuki (e não, a Asa não nos paga para fazermos isto :)
Nas nossas escrituras (Samyuktagama sutra, vol. 33)diz-se que há quatro tipos de cavalos: os excelentes, os bons, os fracos e os maus. O melhor cavalo irá correr devagar e depressa, para a direita e para a esquerda, consoante a vontade do cavaleiro, antes de ver a sombra da chibata; o segundo melhor irá correr tão bem como o primeiro, antes da chibata tocar a pele; o terceiro irá correr quando sentir a dor no corpo; o quarto irá correr depois de a dor penetrar o âmago dos seus ossos. Podes imaginar como é difícil para o quarto aprender a correr!
Quando ouvimos esta história, quase todos nós queremos ser o melhor cavalo. Se nos for impossível sermos o melhor, queremos ser o segundo melhor. É esta, julgo eu, a compreensão habitual desta história e do Zen. Poderás pensar que quando te sentas a praticar zazen irás descobrir se és um dos melhores cavalos ou um dos piores. Contudo, isso é compreender mal o Zen. Se pensares que o objectivo da prática do Ze é treinar-te para seres um dos melhores cavalos, tens um grande problema. Não é esta a compreensão correcta. Se praticares o Zen da maneira correcta, tanto faz seres o melhor cavalo como o pior.
Shunryu Suzuki, Mente Zen, Mente de Principiante, Lua de Papel
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